Existe um número grande de empresas familiares no Brasil. Com o passar do tempo, essas corporações passarão pelo processo de transição para dar continuidade ao negócio e fazê-lo crescer. Porém, é nesse ponto de mudança que muitas encontram dificuldades, sendo necessárias ações para reduzir riscos no processo de sucessão.

Talvez você já tenha ouvido o ditado “vô constrói, filho usufrui e neto destrói”, e os fatos confirmam a frase. Segundo pesquisas, menos de 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração. Um dado preocupante para o país, se levarmos em conta que 90% dos negócios possuem esse perfil.

Portanto, não resta dúvida da importância de efetuar um planejamento sucessório eficiente e, para ajudá-lo, este artigo apresentará 6 riscos que podem surgir nesse processo e dará dicas práticas para lidar com eles. Confira!

1. Planejamento sucessório bem-feito

Um dos principais erros na transição é a falta de um planejamento que guie todo processo de forma adequada. Quando isso ocorre, pequenos problemas que surgem durante o percurso se tornam grandes empecilhos.

Entre outros fatores o planejamento deve orientar para questões como:

  • escolha do sucessor;

  • treinamentos e qualificações essenciais para o sucessor;

  • tempo de experiência;

  • formação da equipe de apoio.

Para aumentar a taxa de sucesso é importante realizar o planejamento enquanto o fundador ainda está ativo na empresa. Afinal, ele é de longe a pessoa com maior conhecimento sobre o funcionamento do negócio.

2. Boa assessoria empresarial e jurídica

Outro problema que costumeiramente acontece em sucessões de empresas é a má assessoria jurídica. Muitas vezes, os envolvidos não conhecem ou entendem pouco sobre os trâmites legais e acabam deixando de lado questões importantes, o que pode gerar prejuízos consideráveis.

Analisar a questão jurídica é essencial, até porque, sob a sua perspectiva, a sucessão pode ocorrer de modo formal ou não. Por exemplo, a transferência dos responsáveis pelas questões tributárias (tendo provas desse processo) já é considerada uma sucessão empresarial.

Para evitar esse tipo de risco e garantir maior segurança, é recomendável documentar e legalizar tudo que envolve a transição e contar com o suporte de assessoria especializada com experiência comprovada.

3. Preparo do sucessor

Apesar de a transição ser algo natural e esperado em muitas empresas, alguns sucessores não se preparam adequadamente para assumir a responsabilidade. Tendo em vista que a capacidade deles será determinante para a continuidade da organização, esse tipo de negligência pode ser fatal.

A identificação das habilidades do sucessor deve fazer parte das prioridades de um processo de sucessão. Dentre as características que são importantes para o futuro gestor da empresa, estão:

  • conhecimentos técnicos;

  • habilidade de liderança;

  • criatividade;

  • habilidades comportamentais.

Além desses fatores, um dos pontos mais importantes é a aderência aos valores da companhia. Embora mudanças possam ser analisadas, a essência não pode ser deixada de lado, pois esta é a principal característica em empresas familiares.

4. Escolha acertada do conselho de administração

Por que um conselho é importante? Um dos motivos é que esse grupo valida as decisões tomadas pelo gestor. Quando as decisões são tomadas de forma autoritária e sem consulta, estão mais suscetíveis a erros e não conseguem o engajamento integral dos colaboradores.

Ao mesmo tempo, o conselho não pode servir apenas como “fantoche”, apenas obedecendo às ordens do chefe. Se erros forem identificados é preciso dar visibilidade e sugerir alternativas.

Um dos cenários em que o conselho é mais necessário é quando mais de uma pessoa (dois filhos, por exemplo) será responsável pelo controle da empresa. Nesse momento, os conselheiros intervêm apontando as responsabilidades de cada um, assegurando que um não invada as atribuições e funções do outro.

Além de dar apoio direto, no conselho de administração são discutidas questões sobre:

  • estratégias comerciais;

  • metas e planos para o negócio da sucessão em diante;

  • principais funções dos integrantes;

  • atitudes e caminhos que devem ser tomados durante eventuais conflitos;

  • delegação de responsabilidades.

No entanto, é preciso ter critério na escolha. O conselho deve ser composto por familiares que participam ativamente na empresa, conhecem e praticam os valores. No entanto, também é preciso ter pessoas com experiência externa do mercado para trazer uma visão diferenciada. Também é interessante contar com um ou dois membros que não façam parte da empresa, como consultores ou um grande especialista no ramo de atuação da empresa.

Sem um conselho de administração eficaz, as empresas tendem a gerar muitos conflitos internos e ter pouca transparência — que são, muitas vezes, as causas do fracasso de organizações familiares.

5. Resolução de conflitos entre tradição e inovação

Esse é um dos principais riscos no processo de sucessão. Inconsistências de ideias entre fundadores e sucessores é algo que sempre existiu em empresas familiares e podem gerar conflitos intermináveis, potencialmente levando a empresa à falência.

A forma mais eficaz de lidar com esse risco é ter a certeza de que o sucessor está realmente alinhado com os valores e com o propósito da companhia. Dessa forma, ao implementar inovações (que são necessárias para manter a competitividade), a base será mantida e a organização não perderá a sua identidade.

O indicado é que haja uma conciliação de fatores positivos dos dois lados. O fundador não teria sucesso na criação e crescimento da organização se os valores e a metodologia de trabalho fossem equivocados, porém, é importante que o sucessor tenha uma visão mais ampla do mercado e possa adicionar a “modernidade” para aumentar a qualidade naquilo que sempre deu certo na empresa.

6. Separar a razão da emoção

Deixar que a emoção interfira no processo de sucessão é um grande risco. Geralmente cada membro da família tem preferência por um filho e, muitas vezes deixam que os seus interesses e emoções interfiram na escolha, em vez de analisar o que é melhor para o negócio.

Para evitar esse tipo de situação é preciso contratar uma consultoria externa, que seja isenta e que consiga priorizar as necessidades do empreendimento, deixando claros os direitos e deveres de cada sucessor.

Reduzir riscos no processo de sucessão é fundamental para manter uma empresa familiar viva. Analise as dicas citadas e, caso identifique que está cometendo algum erro, busque ajuda de especialistas, aprofunde o seu conhecimento e crie um plano de ação detalhado. Dessa forma, conseguirá perpetuar a sua empresa.

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