A importância da gestão patrimonial vai muito além do cumprimento de uma exigência legal, na medida em que é essencial para a estrutura de uma organização e para a sua saúde financeira.

Isso porque o controle sobre o patrimônio da empresa é tão importante quanto o Demonstrativo de Resultados do Exercício e o Demonstrativo do Fluxo de Caixa, todos documentos contábeis indispensáveis para a corporação.

Pensando nisso, preparamos este post para ensinar um pouco mais sobre o que é gestão patrimonial e como realizá-la.

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O que é gestão patrimonial

O patrimônio de uma pessoa jurídica é constituído por seus bens, direitos e obrigações. Nesse sentido, os bens podem ser móveis e imóveis, tangíveis e intangíveis, entre outros. Já os direitos são as transações comerciais a serem recebidas, e as obrigações são os valores a serem pagos aos credores.

A gestão patrimonial, portanto, consiste no controle e administração da relação de bens e valores ativos — que compreendem bens e direitos — e passivos — as obrigações —, bem como na análise de ascensão ou declínio do patrimônio acumulado.

A gestão patrimonial ainda envolve questões como a administração desse patrimônio, incluindo a sua aquisição, a destinação e a alienação, sempre com vistas a garantir a ascensão patrimonial.

Como é realizada a gestão patrimonial

A gestão patrimonial compreende algumas etapas para ser implementada. Uma vez passadas todas essas etapas, cabe ao gestor manter o controle sempre atualizado para garantir a sua eficácia.

O processo de gestão patrimonial pode ser dividido nas seguintes etapas:

Inventário Empresarial

A primeira etapa para implantar a gestão patrimonial é a realização do inventário empresarial, o qual consiste na relação e descrição de todos os bens em posse da empresa.

Neste momento, devem ser designados os funcionários para etiquetar, fazer registro fotográfico, descrever e determinar a localização de cada um dos bens. Alguns dados interessantes para constar da catalogação dos bens são a categoria do item, modelo, número de série, data da compra, valor, estado de conservação, vida útil, depreciação, local de armazenamento ou de operação e o responsável pelo item.

É importante manter o inventário atualizado, uma vez que os bens podem ser alienados ou depreciados e outros podem ser adquiridos.

Ainda nesta etapa de inventário deve ser feita a classificação dos ativos para quantificar os seus valores. Nesse sentido, os ativos podem ser classificados em ativos circulantes e não circulantes.

Os ativos circulantes se dividem em disponível e realizável, em que o primeiro é representado pelo dinheiro em caixa ou em bancos, seja em conta corrente seja em aplicações, e o segundo pelos bens e direitos, assim como pelos valores a receber, desde que estejam no prazo do término do exercício seguinte.

Os ativos não circulantes, por sua vez, são os bens duradouros e destinados ao funcionamento da empresa. Esses ativos são classificados da seguinte forma:

  1. ativo realizável em longo prazo: da mesma natureza do ativo circulante, esse ativo se diferencia por seus bens e direitos se darem em longo prazo, precisamente superior a 01 ano a partir do balanço;
  2. intangíveis: bens com valor econômico, mas sem existência física, como marca e patentes;
  3. investimentos: participação e aplicação de caráter permanente com o fim de gerar rendimentos para a companhia;
  4. imobilizados: são bens tangíveis – físicos – necessários à manutenção da empresa, mas de menor liquidez. Entre eles podemos citar imóveis, máquinas, veículos, equipamentos eletrônicos, móveis, entre outros.

Avaliação dos ativos

Feito o inventário e classificados os ativos, é o momento de avaliá-los. Na avaliação deve ser identificado o custo de reposição dos bens, o seu valor justo e o valor residual.

O valor residual é o preço estimado no fim de sua vida útil.

Revisão da vida útil do ativo

A cada bem deve ser atribuída a sua vida útil econômica e transcorrida. Nesse contexto, a vida útil econômica é a vida real esperada para se utilizar o bem. Já a vida transcorrida é tempo que o bem já foi e ainda será utilizado.

Conciliação do físico contábil

Nesta etapa, há a comparação dos dados do inventário empresarial com a base contábil, na medida em que devem ser identificados os bens existentes no inventário, mas que não contém registro contábil, assim como os que contém registro contábil, mas que não têm existência física.

A partir dessa comparação são gerados três relatórios, quais sejam, o de bens conciliados, o de sobras contábeis e o de sobras físicas.

Teste de Recuperabilidade do Ativo

Também conhecido como Teste de Impairment, o teste de recuperabilidade avalia a desvalorização dos ativos da empresa. A finalidade é avaliar se o valor contábil do bem excede o seu valor recuperável, que corresponde ao maior valor entre o justo líquido de despesas de venda e o em uso.

Por que é importante fazer a gestão patrimonial

A gestão patrimonial permite à empresa fazer um planejamento orçamentário sólido e preciso, na medida em que, ao qualificar e quantificar o patrimônio, os investimentos são feitos de acordo com as necessidades e possibilidades reais.

Além disso, o controle sobre o patrimônio permite elaborar balanços mais precisos e que, de fato, orientam a tomada de decisões, evitando os investimentos desnecessários e facilitando os eventuais cortes de custos. Soma-se a isso o fato de que o controle sobre todos os bens e ativos minimiza as chances de desvios de recursos, na medida em que estão devidamente identificados.

A gestão do patrimônio permite, ainda, que a empresa sempre tenha ciência de qual é, realmente, o seu valor. Essa é uma forma de controle tanto por parte da diretoria empresarial quanto por eventuais investidores. No mesmo sentido, havendo a necessidade de aquisição de crédito, atende-se às exigências bancárias.

Além dos benefícios proporcionados pela gestão patrimonial, os empresários devem se preocupar em fazer a gestão por se tratar de uma exigência legal. O seu descumprimento pode implicar autuação por omissão de receita, uma vez que configura uma contravenção penal, podendo incidir a condenação de multa.

Agora que você já sabe o que é gestão patrimonial, pode ser a hora de colocá-la em prática na sua empresa e começar a desfrutar de suas vantagens.

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