Os índices de liquidez têm por base o balanço patrimonial, e no momento que o empresário tem em seu poder esse documento, é possível fazer uma série de constatações a respeito da saúde financeira da organização em um determinado período de tempo. Essas informações são muito importantes para o planejamento financeiro no curto, médio e longo prazo.  

São detalhes que podem fazer a diferença para determinar a capacidade do empreendimento de se gerenciar e obter resultados.

É o contraste entre a empresa que tem capital de giro próprio e a que vai precisar de capital de terceiros no curto prazo. Ou, ainda, a organização que sobrevive apagando incêndios e aquela que cresce e se desenvolve com os pés no chão e os olhos no mercado.

No entanto, os índices de liquidez não podem ser confundidos com índice de capacidade de pagamento, extraídos do fluxo de caixa. Se há um bom resultado nos índices de liquidez, por exemplo, o empresário não deve entendê-lo como uma boa condição de pagamento, já que é preciso observar as contas e seus ciclos para identificar prazos, condições e giros.

Para avaliar os resultados dentro da empresa, há quatro tipos de índices de liquidez: Liquidez Corrente, Liquidez Seca, Liquidez Imediata e Liquidez Geral. Saiba, a seguir, como cada um deles pode ser útil.

Liquidez Corrente

Esse tipo de índice mostra a quantia, em dinheiro, que o empreendimento dispõe de imediato, com relação às dívidas de curto prazo. Ele é considerado o mais indicado para expor a situação da empresa.

Para calculá-lo, é preciso dividir o Ativo Circulante — que inclui itens como valores a receber no curto prazo, estoques, disponibilidade e despesas pagas antecipadamente — pelo Passivo Circulante, como dívidas e obrigações que vencem no curto prazo.

O cálculo é: Índice de Liquidez Corrente (ILC) = Ativo Circulante / Passivo Circulante. A sua interpretação pode ser definida em três situações, levando em conta o resultado obtido:

  • ILC < 0: nesse caso, a organização não possui recursos para honrar seus débitos no curto prazo, pois, para cada um real que deve, não possui um real de recursos para cumprir com suas obrigações;
  • ILC = 0: nessa situação, a empresa está no equilíbrio. A cada real que possui, tem um real para cumprir suas obrigações no curto prazo, embora o cálculo inclua todas as contas do ativo circulante — o que não demonstra uma liquidez de 100%;
  • ILC > 0: essa situação é a melhor. O negócio tem mais recursos do que necessita para honrar suas obrigações no curto prazo, desde que consiga transformar, no período, todo ativo circulante em dinheiro.

Liquidez Seca

Nesse caso, o objetivo é calcular a capacidade de pagamento da empresa sem acrescentar seus estoques, que, no geral, é o ativo circulante de menor liquidez. Ou seja, ele serve para analisar a tendência financeira do empreendimento em cumprir, ou não, suas obrigações em curto prazo.

Uma observação importante é que o resultado do cálculo nesse índice será sempre igual ou menor ao de Liquidez Corrente. Por isso, a empresa deve ter cautela ao contar com o estoque — tanto o de matéria-prima como o de produtos acabados, como liquidação de obrigações —, pois depende da concretização de sua venda.

Para calcular os índices de liquidez seca, é preciso dividir o Ativo Circulante, menos estoques, pelo Passivo Circulante. A formulação é a seguinte:

Índice de Liquidez Seca (ILS) = (Ativo Circulante – Estoques) / Passivo Circulante.

O índice de liquidez seca dá um resultado mais autêntico do que o índice de liquidez imediato, pois nem sempre se pode contar com os valores estocados. Isso porque eles dependem da efetivação de vendas ou porque pode haver grande quantidade de material estocado, mas ainda longe da linha de produção.

Liquidez Imediata

É o mais conservador de todos os índices, já que considera apenas caixa, saldos bancários e aplicações financeiras; ou seja, somente finanças de liquidez imediata.

Esse índice calcula a porcentagem de dívidas em curto prazo em condições de serem liquidadas de imediato. Normalmente, é baixo devido ao pouco interesse das empresas em manterem os recursos monetários em caixa ou aplicações financeiras em altos valores, pois as organizações tendem a investir parte dos lucros em novos projetos.

O Índice de Liquidez Imediata é a divisão das disponibilidades pelo Passivo Circulante (PC). O cálculo é:

Índice de Liquidez Imediata = Disponibilidades / Passivo Circulante.

O cálculo desse índice é útil para determinar o quanto o empreendimento independe de suas operações de produção e vendas para cumprir com suas obrigações do passivo circulante. É muito útil para empresas em setores de altas sazonalidades, como produtos consumidos em determinada estação do ano.

Liquidez Geral

Por fim, o Índice de Liquidez Geral avalia a situação de curto e longo prazo, incluindo direitos e obrigações no período de 12 meses (um exercício), como aplicações de longo prazo, vendas parceladas e empréstimos a pagar.

Esse é um índice global e deve levar em consideração o ciclo operacional da empresa e a estrutura de prazos.

Isso porque uma organização que trabalha com grande volatilidade de estoque — mas que recebe grande parte de seus pagamentos parcelados, como as lojas de departamento — tem liquidez geral diferente de uma loja de marca exclusiva, em que os estoques são vendidos moderadamente, e o prazo para pagamentos de clientes é curto.

O cálculo é:

Índice de Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável em Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Exigível em Longo Prazo).

Considerações a relevar no cálculo de índices de liquidez

Os índices de liquidez são utilizados em várias situações pelas empresas. A primeira é para realmente conhecer os valores de seus índices, com o objetivo de tomar conhecimento se há condições de trabalhar apenas com capital próprio ou se precisará de terceiros (empréstimos).

Também servem para demonstrar as condições que a tomada de decisões gerenciais proporcionou aos índices de liquidez. Por exemplo, se o empreendimento tem muitos produtos em estoque, ele terá de tomar conhecimento se são de matéria-prima ou produtos acabados.

Caso sejam de matéria-prima, terá de verificar a situação dos pedidos dos clientes. Se tiver em quantidade relevante, pode considerar como uma situação atípica. Contudo, se não for o caso, ocorreu um erro na compra de matéria-prima, proporcionando alto custo de armazenagem e gastos financeiros — caso a empresa não possua capital suficiente para honrar seu passivo circulante.

Por outro lado, se for um caso de produtos prontos, terá de investigar junto ao setor de produção e vendas o que está acontecendo: produzindo em demasia ou vendendo menos? Quais razões para isso? Um descuido em relação à concorrência, uma equipe de vendas deficitária ou desmotivada ou uma alteração significativa no mercado?

Os índices de liquidez também são utilizados como referência junto às empresas do mesmo ramo de atividade. Afinal, é importante conhecer se as estratégias da concorrência foram melhores ou não, ou onde os concorrentes estão investindo: mercado financeiro, novos projetos ou redução de custos — com a implantação de máquinas e equipamentos mais modernos e tecnológicos.

Podemos exemplificar com a situação do setor de vestuário. Há forte concorrência de produtos vindos da China; os quais não tem qualidade, mas bom preço. Há também novos tipos de tecidos térmicos que são leves e não deixam passar calor nem frio, além de serem fáceis de lavar e secar e sem necessidade de passar.

Se um concorrente resolve investir em inovações para produzir roupas com alta tecnologia, ele se sobressairá no mercado pela diferenciação do produto. Se ele fez um financiamento de longo prazo, o índice de liquidez geral apontará. Se a empresa tiver uma boa estratégia de vendas, ela não terá dificuldades em manter o índice de liquidez seca dentro de parâmetros aceitáveis.

Logo, os empreendimentos buscam essas informações em publicações anuais como a Revista Melhores e Maiores, da Exame (Editora Abril). O objetivo é acompanhar a concorrência e tentar obter índices de liquidez próximos dos valores das grandes empresas.

É difícil conseguir tal feito, uma vez que as grandes organizações têm condições melhores de se manter no mercado até pela própria marca, que é bem conhecida e consolidada.

Índice de liquidez imediata maior que um representa que a empresa não investe muito em estoques, pode trabalhar com as técnicas da qualidade total e está bem tranquila com um excelente capital de giro. Talvez, até mais do que precisa.

Contudo, em todas as conjecturas a respeito dos índices de liquidez, é possível supor várias situações que só podem ser devidamente identificadas tendo todas as informações necessárias sobre o setor de atuação, o mercado e as tendências gerenciais adotadas para o período.

Uma exceção à situação acima é a análise horizontal do balaço patrimonial. Nesse caso, leva-se em consideração três ou mais exercícios passados, e faz-se uma comparação do crescimento ou situação da empresa ao longo dos últimos anos.

A administração financeira tem diversos objetivos e formas de ser analisada. As demonstrações contábeis são úteis, embora representem o passado. Há técnicas que podem ser utilizadas para entender a situação financeira do empreendimento, conhecer os tropeços e acertos e se preparar para situações do mercado competitivo e cada vez mais voraz.

O mais importante não é o cálculo dos índices de liquidez, mas saber interpretar seus resultados. Para isso, é preciso várias informações sobre a empresa que vão muito além do controle de estoques.

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