Aprender sobre alguns indicadores de rentabilidade do negócio é fundamental para avaliar suas condições financeiras. A partir deles é possível analisar se o retorno está dentro do esperado, tanto pelos sócios quanto em comparação com a concorrência, e caso não esteja, verificar onde a empresa está falhando. Saber como calcular margem bruta e líquida pode ajudar muito!

Todavia, é importante que o cálculo de cada uma dessas margens seja feito distintamente, já que seus resultados trazem conclusões diferentes e podem, até mesmo, revelar se o negócio é considerado saudável e duradouro.

Então, continue lendo o post para entender o que significa margem bruta, margem líquida e qual a diferença entre elas.

O que é margem bruta?

A margem bruta é um medidor da rentabilidade das vendas, ou seja, a partir dela é possível saber quanto o empreendedor ganha com a saída de um produto específico ou sobre um serviço prestado.

Nesse sentido, é essencial fazer o cálculo para cada produto comercializado, pois um deles pode ter margem muito menor que a de outros. Entretanto, isso não denota que o negócio deve priorizar apenas os itens com a margem bruta mais alta.

Essa escolha dependerá da estratégia do empreendimento, já que alguns artigos, com a margem menor, podem representar maior volume de vendas. Esse indicador é, ainda, um dos principais coeficientes a serem levados em conta para a definição do preço de venda.

Como é feito o cálculo da margem bruta?

O cálculo é relativamente simples. Ainda assim, é essencial observar algumas distinções para não cometer erros. Ele deve ser feito dessa forma:

Margem bruta = (lucro bruto/receita total) * 100

Nesse sentido, é necessário entender que ela é diferente de lucro bruto. Isso porque lucro é o montante total que se obtém em cada venda, já a margem é a relação entre lucro e receita.

Logo, lucro bruto é o valor que se ganha com a venda de um produto, após abater todos os gastos diretamente relacionados à comercialização ou com a produção deste item, como custo da matéria-prima, manutenção da fábrica, frete, além da execução do serviço, como despesas com equipamentos e salários dos executores.

Já a receita é o valor total arrecadado no período em análise.

Para ilustrar o cálculo, considere que uma determinada empresa tenha uma receita bruta de R$20 mil e um lucro bruto de R$12 mil, sendo que o lucro bruto foi obtido subtraindo da receita bruta os custos diretamente relacionados ao produto (R$4,5 mil de matéria-prima + R$2 mil de armazenamento + R$1,5 mil de frete = 8 mil. Logo, 20 mil – 8 mil = 12 mil).  

Margem bruta = (12 mil/ 20 mil) * 100

Margem bruta = 0,6 * 100 = 60%

Então, a margem bruta deste negócio é de 60%.

O que é margem líquida?

A margem líquida, por outro lado, representa uma relação entre o lucro líquido e as receitas geradas, ou seja, quanto a empresa ganha para cada real que entra como receita. Ela representa, portanto, o ganho real gerado pelo empreendimento em decorrência de seu funcionamento.

Sendo assim, se margem líquida for de 15%, significa que a cada R$100 que a empresa ganha, ela tem um lucro líquido de R$15.

Nesse contexto, a margem líquida indica se a empresa está tendo lucro e, se sim, qual é o percentual dele. Em razão disso, ela é um forte indicador de que os preços adotados estão em sintonia com as estratégias empresariais de longo prazo, o que garante a sustentabilidade do negócio.

Dessa forma, o objetivo é sempre que a margem líquida mantenha um bom percentual para garantir uma vida saudável ao empreendimento.

Como é feito o cálculo da margem líquida?

O cálculo considera o lucro líquido e a receita:

Margem líquida = (lucro líquido / receita total) * 100

Como ressaltado anteriormente, a receita é o valor total percebido pela empresa.

O lucro líquido, por sua vez, é obtido subtraindo da receita todos os custos da empresa, e não apenas os diretamente relacionados com a produção.

Isso significa que devem ser considerados, também, os custos administrativos, operacionais e os impostos recolhidos.

Ainda no exemplo do tópico anterior, observe que além dos gastos com a produção, que somavam R$8 mil, incidiram os impostos e os custos administrativos que representam R$4mil, totalizando R$12mil de custos. Logo, o lucro líquido é de R$8mil (20mil – 12mil = 8mil).

É necessário entender que o lucro líquido deve ser necessariamente menor do que o lucro bruto, já que precisam ser descontadas as novas despesas que não são consideradas para o cálculo do lucro bruto. Assim:

Margem líquida = (lucro líquido / receita total) * 100

Margem líquida = (8 mil / 20 mil) * 100

Margem líquida = 0,4 * 100 = 40%

A margem líquida do negócio é de 40%, o que representa um lucro de R$40 a cada R$100 vendidos.

Afinal, qual é a diferença entre margem bruta e líquida?

Como demonstrado, margem bruta e líquida são indicadores diferentes, na medida em que trabalham com dados distintos. Ainda assim, alguns empreendedores fazem confusão na sua gestão financeira, pois não sabem como calcular a margem líquida.

Depois de analisar individualmente esses medidores, podemos concluir que a margem bruta representa tão somente o retorno das vendas, ao passo que a líquida mostra o valor final que sobra aos sócios pelos serviços prestados ou produtos vendidos depois de deduzidas todas as despesas.

Assim, a margem líquida dá um panorama geral da lucratividade da empresa, enquanto a margem bruta demonstra a rentabilidade dos itens, mas não do negócio.

Conhecer ambos os indicadores permite aos sócios visualizarem a saúde financeira da empresa e de onde podem surgir eventuais problemas, como se ela não vai bem porque os produtos têm uma lucratividade baixa ou se são as despesas gerais do negócio que estão consumindo o seu lucro.

Dessa forma, é necessário que os gestores se atentem a esses indicadores, fazendo sempre o cálculo da margem bruta e líquida de sua empresa para acompanhar a rentabilidade.

Como aplicar a margem bruta e líquida na análise da empresa?

Agora que você já conhece o conceito de margem bruta e margem líquida, bem como a maneira de chegar a esses valores, está na hora de entender de que forma essas margens podem ser aplicadas na análise de uma empresa.

Listamos, abaixo, as principais funcionalidades das margens em questão. Veja!

Avaliação da oscilação

Possuir uma margem líquida alta pode representar vantagem competitiva para a empresa, bem como uma baixa concorrência. Já o oposto é verdadeiro para margens baixas.

Isso porque os mercados que apresentam mais concorrência costumam ter margens menores, como é o caso do varejo. Por essa razão, é fundamental que você esteja atento quando a margem de lucro da sua empresa apresentar queda. Afinal, esse pode ser um sinal indicativo da concorrência estar aumentando.

Foi justamente o que aconteceu com a Cielo, que tinha margens de lucro muito altas, por conta de atuar em um mercado com baia concorrência. Porém, nos últimos anos, a empresa começou a enfrentar um cenário concorrencial fortíssimo.

Essa mudança de panorama culminou na decisão da Cielo por abrir mão das suas margens de lucros antigas para que conseguisse manter sua carteira de clientes.

Relação entre os indicadores

Ter o conhecimento e saber como realizar a aplicação dos indicadores de rentabilidade de uma empresa é imprescindível para descobrir se ela apresenta o lucro esperado ou se a margem de lucratividade está aquém das expectativas, de modo a necessitar que medidas para reversão desse cenário sejam adotadas.

Afinal, a rentabilidade é um dos indicadores de desempenho mais relevantes na análise de uma empresa, servindo para mensurar o potencial que o negócio tem em se pagar, baseando-se no investimento que é realizado em sua aquisição ou estruturação.

Existem diversos indicadores de rentabilidade e eles estão divididos por categorias. O gestor deve analisá-los, em primeiro lugar, de modo separado para, depois, fazer o estudo do conjunto. Dessa forma, será possível examinar a rentabilidade da organização de maneira global, para que as estratégias sejam traçadas de maneira direcionada.

O lucro da margem bruta e líquida estão entre os indicadores de rentabilidade mais comuns. Outros indicadores de rentabilidade muito usados entre os administradores de empresas são os índices de ativos, o retorno sobre o capital e o retorno sobre o capital próprio.

Monitoramento dos resultados

Para monitorar os resultados de uma empresa, não basta olhar só para as despesas. É preciso, além disso, observar também as receitas e as margens de lucro.

O responsável pela gestão de um negócio precisa entender a relação de sinergia entre essas grandezas e a trajetória desses indicadores de desempenho.

Assim, ele será capaz de fazer a coordenação correta da estratégia para seguir no caminho em busca dos objetivos traçados ao longo do ano.

A margem bruta e líquida estão entre os indicadores financeiros mais importantes para monitorar os resultados de uma empresa.

Afinal de contas, a margem líquida indica o que sobrou do valor das vendas, depois de deduzidos todos os custos, incluindo o imposto de renda. Essa margem revela qual foi o lucro líquido para cada unidade de venda do negócio.

Quanto mais alta for a margem líquida, mais alto será o resultado da empresa depois de receber as vendas, subtraindo todos os impostos e deduções.

Já a margem bruta indica o quanto a organização ganha com a venda de um produto ou serviço após o desconto das despesas relativas à sua produção e comercialização.

Uso de dados na previsão e tomada de decisões

Toda empresa deve contar com um planejamento estratégico. Nele, devem estar bem definidos onde a empresa quer chegar no curto, médio e longo prazo. Donos de negócios devem ter como guia do crescimento da empresa esse plano de ações, a fim de alcançar o aumento da produtividade e lucratividade de uma maneira saudável e eficiente.

Aconselhamos o empreendedor a traçar metas e objetivos para todo o ano. Definir quantos clientes você quer ganhar, qual é o crescimento do faturamento que espera, se está na hora de lançar novidades no mercado ou mesmo se outros públicos de interesse podem ser atingidos pelo seu negócio.

Mas não basta simplesmente estipular metas e planejar todas as tarefas necessárias para que elas sejam alcançadas. É preciso estar atento se as metas e objetivos planejados estão sendo atingidos ou se há necessidade de adequação.

Ou seja, é indispensável acompanhar todos os processos e o desempenho da empresa. Para isso, uma das ferramentas de gestão empresarial mais utilizadas no mundo são os indicadores chaves de performance (KPI), incluindo a margem bruta e líquida.

Por meio dos KPIs, é possível detectar gargalos de produção e falhas em processos, além de monitorar o desempenho de todo o negócio ou de apenas alguns setores.

Os KPIs são fundamentais para a administração de qualquer empresa, pois são a melhor representação da situação na qual a organização se encontra, e ainda, permitem comparação com resultados passados e até mesmo com outros negócios.

Identificação de pontos de melhoria

A mensuração dos resultados é um jeito de compreender a conjuntura na qual a empresa está inserida. Assim, o gestor é capaz de analisar se esse cenário está de acordo com o que é melhor para o negócio.

Além do mais, mensurar resultados também contribui para que metas desafiadoras sejam criadas, com o intuito de instigar todos os membros da equipe na busca pelo êxito.

Identificar os pontos a serem aperfeiçoados também é uma ação pertinente a qualquer programa de melhoria contínua, tendo como objetivo fazer o diagnóstico da situação atual da empresa.

A análise de uma organização não tem como propósito somente identificar pontos negativos. É primordial e fundamental que todo negócio examine como anda o seu desempenho, a fim de buscar a melhoria também do que está sendo satisfatório.

Afinal, se a zona de conforto representa perigo em relação aos problemas, ficar acomodado com os bons resultados atingidos também não é uma boa ideia.

Neste blog post, mostramos para você a definição dos conceitos de margem bruta e líquida, como elas são calculadas e de que forma são aplicadas na análise empresarial.

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