Quanto maior e mais complexa se torna uma empresa, mais complexo também passa a ser o seu controle e a sua governança corporativa. Por necessitar de mais investimentos, empresas maiores precisam lidar com a presença de acionistas e conselhos administrativos, entre outros atores, dependendo de seu formato jurídico empresarial.

A forma como as empresas administram tantos fatores, entretanto, é bastante diversa, fato que depende também do modelo adotado e de importantes decisões gestoras. Para entender mais sobre o assunto, conheça quais são as diferenças entre alguns modelos de governança corporativa!

Modelo anglo-saxão

O modelo anglo-saxão de governança corporativa é utilizado principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido e versa sobre uma separação entre a propriedade e a ação em si. Isso significa que, os gestores e os acionistas atuam de maneira separada.

Nesse tipo de governança, os acionistas estão dispersos e não fazem parte da tomada de decisão diária da empresa. Apesar disso, fazem parte do Conselho Administrativo, principalmente, em busca de proteção ao patrimônio dos acionistas minoritários. Nesse sentido, esse modelo também é comumente chamado de outsider system e tem o foco principal nos acionistas, visando ao lucro que será distribuído entre eles.

Modelo japonês

Também chamado de insider system, nesse tipo de modelo de governança corporativa, os grandes acionistas também são os executivos e grandes tomadores de decisão da empresa, por estarem imersos na realidade do negócio. Nesse modelo, o acionista também é um gestor e toma decisões baseadas, normalmente, em seus próprios interesses quanto ao lucro. Por causa disso, o Conselho Administrativo é inteiramente composto por insiders.

Esse tipo de modelo de governança é bastante comum quando se trata de uma empresa de família ou quando o Estado é um dos acionistas e controladores da empresa. Nesse caso, há uma concentração de propriedade e gestão, além de redução do número de acionistas no geral e foco nos stakeholders.

Modelo alemão

No modelo alemão, existe uma maior influência do mercado financeiro, especialmente, devido à necessidade de financiamentos em longo prazo. Nesse caso, o modelo de governança é estabelecido para atender a uma série de interesses diferentes e o conselho é estratificado entre a gestão e a supervisão, a qual é realizada por representantes de diferentes sindicatos.

Justamente por causa da concentração de propriedade aliada a uma gestão aberta é que nesse tipo de modelo de governança o mercado de capitais é menos forte do que no anglo-saxão. A principal característica desse modelo de governança é o atendimento e equilíbrio de interesses distintos.

Modelo latino-americano

A concentração de riquezas tão comum em países latino-americanos possui grande influência nesse modelo de governança corporativa, já que há maior concentração de propriedade e pouca influência do mercado de capitais. A abertura ao mercado e as privatizações também caracterizam e influenciam esse tipo de modelo.

Nesse tipo de modelo de governança, é bastante comum que os interesses da gestão se sobreponham aos dos stakeholders, como com a implementação de processos e tomadas de decisão que sejam especialmente benéficos para as camadas mais altas. Isso se dá a não divisão entre propriedade e capital e à influência quase que solitária do comando, muitas vezes familiar.

Modelo latino-europeu

Funciona como uma mistura entre os modelos latino-americano e anglo-saxão. Nesse caso, as forças de controle são predominantemente internas devido à concentração de propriedade. No entanto, existe uma tendência de abertura do capital.

Também existe uma remuneração de gestores e a criação de conselhos que sejam realmente benéficos para a empresa. A proteção a acionistas minoritários é menor e o mercado de capitais, menos relevante. A liquidez também é mais baixa do que no modelo anglo-saxão.

Os modelos de governança corporativa possuem diferenças em relação à origem do financiamento, à separação de propriedade e gestão e à relevância do mercado de capitais. Dependendo do tipo de cultura corporativa, do tipo de empresa e do modelo de gestão adotado, um modelo de governança acaba sendo mais indicado do que o outro e termina sendo o responsável por gerar bons resultados e fortalecimento corporativo.

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