Quanto maior e mais desenvolvida se torna uma empresa, mais complexo também passa a ser o seu controle e os seus modelos de governança corporativa. Por necessitar de mais investimentos, empresas maiores precisam lidar com a presença de acionistas e de conselhos administrativos, entre outros atores — dependendo de seu formato jurídico empresarial.

A forma como as empresas administram tantos aspectos, entretanto, é bastante diversa, fato que depende, também, do modelo adotado e de importantes decisões gestoras.

Para entender mais sobre o assunto, confira algumas boas práticas para a aplicação correta desse conceito e conheça quais são as diferenças entre alguns modelos de governança corporativa! Vamos lá?

Veja algumas práticas para executar uma boa governança corporativa

Para que a implementação de uma cultura de governança corporativa seja realizada da maneira correta, é preciso que os valores essenciais sejam bem definidos.

Geralmente, uma cultura corporativa é pautada em valores como responsabilidade, eficiência e transparência. O estabelecimento das estruturas específicas que serão capazes de viabilizar a implementação desses valores deve ser feito baseado em boas práticas de governança. 

Abaixo, vamos abordar alguns exemplos de práticas desse sistema, para aplicação correta desses conceitos em sua empresa!

Forme um conselho consultivo

Ser orientado por quem já passou pelo que você está passando agora é uma grande vantagem competitiva para qualquer empresa. Por isso, é tão importante buscar pessoas com experiência para guiá-lo nas tomadas de decisões corporativas. 

Para tanto, procure formar um conselho consultivo na sua organização. De modo a realizar essa tarefa de maneira eficiente, o ponto principal é pensar quem são os profissionais mais capacitados para ocuparem as cadeiras de conselheiros da empresa. 

Procure se informar sobre as experiências do potencial conselheiro; o histórico de atuação no mercado em que o seu empreendimento está inserido; as empresas do mesmo porte, e com o mesmo modelo de negócio que a sua, nas quais ele já tenha atuado; e, também, qual é a rede de contatos desse profissional. 

Tenha em mente que o papel principal do conselho consultivo é auxiliar a empresa no progresso dos seus objetivos e no alcance das suas metas.

Realize reuniões periódicas

A realização de reuniões periódicas entre o conselho administrativo, os sócios, os gestores e as equipes é mais uma medida muito importante para estimular a governança corporativa em uma empresa. 

Nessas reuniões, é preciso que seja feito o acompanhamento dos projetos em andamento, a comunicação das novas diretrizes e a elaboração dos planos de ação, que estão diretamente relacionados aos indicadores de desempenho e às metas. Dessa forma, fica mais fácil manter a eficiência do controle administrativo da empresa, analisando o seu progresso. 

Mas não apenas isso: além das medidas descritas acima, é fundamental que seja mantido um registro de todas as reuniões. A melhor maneira de organizar isso é por meio da elaboração e do arquivamento das atas. 

Essa prática será de grande utilidade, por exemplo, para que um novo investidor avalie o conteúdo das reuniões. Ademais, tanto as atas como os balanços financeiros, as projeções e outros registros também são usados para embasar as decisões que devem ser tomadas pelo conselho.

Estabeleça uma hierarquia clara

Todo colaborador da empresa precisa saber, de modo claro e evidente, a quem ele responde. Afinal, um profissional que executa mais do que um tipo de atividade em times diferentes, ao receber demandas de múltiplos lados, poderá ter a sua capacidade de entrega comprometida. 

Por isso, uma boa prática de governança corporativa é não deixar dúvidas em relação a quem é a liderança direta de cada funcionário. Todo mundo que compõe o quadro de profissionais de uma empresa precisa saber a quem deve se reportar, a fim de que consiga alinhar suas tarefas e definir suas prioridades. 

Crie órgãos internos

Para implementar o sistema de governança corporativa da melhor forma em sua empresa, é preciso que todas as diretorias da organização sejam bem definidas. Elas também são chamadas de órgão de governança

Alguns exemplos desses órgãos são a própria Diretoria e, também, os seguintes conselhos:

  • Conselho Fiscal;
  • Conselho de Administração;
  • Conselho de Auditoria (interna e externa).

Ao criar esses conselhos, a hierarquia ficará em evidência. E, como falamos acima, essa é uma prática essencial em qualquer empresa, pois ela faz com que todo funcionário saiba a quem deve responder, além de propiciar que todos sejam responsabilizados de maneira correta. 

Busque a transparência no acordo entre sócios

Qualquer tipo de acordo entre sócios, que tratem da compra e venda de suas respectivas participações dentro da empresa, ou mesmo da sua preferência pela aquisição, exercício do direito ao voto ou do poder de controle devem — como boa prática de governança corporativa — estar disponíveis e acessíveis a todos os outros sócios. 

No caso das organizações de capital aberto, esse tipo de acordo precisa se tornar público no site da empresa e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Também precisam contar com mecanismos para a resolução de possíveis conflitos de interesses e de condições de saídas dos seus sócios. 

Institucionalize as normas da empresa

Do mesmo modo que a sociedade em que vivemos possui leis que visam a disciplinar o comportamento de todos os cidadãos, das empresas e dos governos, um negócio também precisa definir normas de conduta para estabelecer um ambiente transparente e eficiente

Para isso, é recomendado que a organização elabore um manual ou um código de governança corporativa. Esse documento tem como objetivo principal especificar as atitudes esperadas de cada colaborador da empresa. 

Como consequência, a subjetividade na interpretação das regras será reduzida, evitando que qualquer profissional tome decisões baseadas em questões pessoais. Além do mais, códigos ou manuais ainda servem para sinalizar e solucionar qualquer tipo de conflito de interesse.

Fiscalize a empresa interna e externamente

Para que os públicos de interesse de uma empresa confiem nela, é preciso que a organização esteja sempre atenta a diversos fatores, tais como a transparência em suas ações, a prestação de contas constante, a comunicação aberta e direta, entre outros. 

Uma das melhores formas de assegurar a integridade em todos os processos empresariais é garantir que eles sejam submetidos à auditorias internas e externas. Dessa maneira, a organização não deixará nenhuma dúvida quanto ao seu comprometimento com a transparência de seus atos. Deixando claro que a empresa não tem nada a esconder, é passada uma imagem de profissionalismo e respeito aos investidores.

Ainda, a governança corporativa também deve ter como foco prevenir danos às atividades empresariais, por meio de mecanismos que impeçam qualquer tipo de prática que seja nociva ao negócio. Como exemplo, podemos citar a análise periódica dos relatórios gerenciais, tendo em vista que isso fará com que sejam evitados erros nos processos — antes mesmo que só fossem notados com a manifestação de algum efeito prejudicial à operação do negócio.

Agora que já descobriu algumas dicas para manter uma governança eficaz, continue com a leitura e veja quais são e no que se baseiam os modelos de governança corporativa!

Confira as diferenças dos modelos de governança corporativa

Os modelos de governança corporativa apresentam diferenças em relação à origem do financiamento, à separação de propriedade e de gestão e à relevância do mercado de capitais.

Dependendo do tipo de cultura corporativa, do formato da empresa e do padrão de gestão que é adotado, um modelo de governança acaba sendo mais indicado do que o outro, sendo o responsável por gerar bons resultados e fortalecer o âmbito corporativo.

Acompanhe, a seguir, quais são as divergências existentes entre os modelos de governança corporativa!

Modelo anglo-saxão

O modelo anglo-saxão de governança corporativa é utilizado, principalmente, nos Estados Unidos e no Reino Unido e versa sobre uma separação entre a propriedade e a ação em si. Isso significa que os gestores e os acionistas atuam de maneira separada.

Nesse tipo de governança, os acionistas estão dispersos e não fazem parte da tomada de decisão diária da empresa. Apesar disso, fazem parte do conselho administrativo e atuam em busca de proteção ao patrimônio dos acionistas minoritários. Em razão disso, esse modelo também é comumente chamado de outsider system e tem o foco principal nos acionistas — visando ao lucro que será distribuído entre eles.

Modelo japonês

Também chamado de insider system, nesse tipo de modelo de governança corporativa, os grandes acionistas também são os executivos e os grandes tomadores de decisão da empresa — justamente por estarem imersos na realidade do negócio.

Nesse modelo, o acionista também é um gestor e toma as decisões baseadas, normalmente, em seus próprios interesses quanto ao lucro. Por causa disso, o conselho administrativo é inteiramente composto por insiders.

Além do mais, esse tipo de governança é bastante comum quando se trata de um negócio de família, ou quando o Estado é um dos acionistas e controladores da empresa. Nesse caso, há uma concentração de propriedade e de gestão, além da redução do número de acionistas (de um modo geral) e do foco nos stakeholders.

Modelo alemão

No modelo alemão, existe uma maior influência do mercado financeiro, especialmente devido à necessidade de financiamento em longo prazo. Nesse caso, o tipo de governança é estabelecido para atender a uma série de diversos interesses e o conselho é estratificado entre a gestão e a supervisão — atividades que são realizadas por representantes de diferentes sindicatos.

Justamente por conta da concentração de propriedade junto de uma gestão aberta é que, nesse modelo de governança, o mercado de capitais é menos forte do que no tipo anglo-saxão. Ainda nesse sentido, a principal característica do modelo alemão é o equilíbrio de interesses distintos.

Modelo latino-americano

A concentração de riquezas, que é tão comum em países latino-americanos, tem uma grande influência nesse modelo de governança corporativa, já que há uma maior centralização de propriedade e pouca influência do mercado de capitais. Além do mais, a abertura ao mercado e as privatizações caracterizam e influenciam esse tipo de governança.

No modelo latino-americano, é bastante comum que os interesses da gestão se sobreponham aos dos stakeholders, assim como a implementação de processos e as tomadas de decisão sejam procedimentos especialmente benéficos para as camadas mais altas. Isso ocorre por conta da não divisão entre propriedade e capital, e devido à influência quase que solitária do comando — muitas vezes, familiar.

Modelo latino-europeu

Esse tipo funciona como uma mistura entre os modelos latino-americano e anglo-saxão. Nesse caso, as forças de controle são predominantemente internas, devido à concentração de propriedade. No entanto, existe uma tendência de abertura do capital.

Também existem uma remuneração de gestores e uma criação de conselhos que sejam realmente benéficos para a empresa. Além disso, a proteção para os acionistas minoritários é menor e o mercado de capitais, menos relevante. A liquidez também é mais baixa do que no modelo anglo-saxão.

Como você pôde ver, é muito importante ter conhecimento sobre os modelos de governança corporativa e estar ciente das melhores formas de executá-la, tendo em vista que é por meio desse sistema que a empresa é dirigida, os seus processos são realizados e a sua imagem é firmada.

Gostou de saber mais sobre as melhores práticas de governança corporativa e de verificar as diferenças entre esses modelos? Então, continue a ler outras publicações tão relevantes quanto essa, seguindo os nossos perfis nas redes sociais — estamos no Facebook e no Google+!