É preciso reconhecer que os negócios familiares têm muitas peculiaridades. A longa convivência entre os profissionais, valores em comum e a proximidade entre a esfera do trabalho e os laços parentais podem trazer muitos benefícios, mas também muitas dificuldades para serem enfrentadas. Vencer os desafios das empresas familiares envolve muito engajamento, colaboração e experiência para diferenciar a dimensão dos negócios e as questões afetivas.  

Ficou interessado em saber mais sobre os maiores desafios das empresas familiares e as estratégias para enfrentá-las? Então, confira!

1. Linha de sucessão

linha de sucessão é um verdadeiro desafio para a empresa familiar. Isso porque pode haver muita competição para decidir quem será o futuro dirigente da empresa. É um cargo de prestígio, poder e grandes aquisições financeiras e, por isso, é muito disputado. No entanto, exige também muita responsabilidade e capacitação.

É importante observar os sucessores que apresentam maior aptidão para desenvolver o papel de dirigentes. Isso significa identificar características pessoais e profissionais no parente e prepará-lo ao longo do tempo para assumir a gestão. Além disso, é preciso que o aspirante ao cargo tenha gosto pela área e deseje dirigir a corporação.

Obrigar os filhos a assumir a empresa por ser o negócio da família é uma péssima ideia, pois pode desencadear conflitos e na condução deficiente da organização. Trabalhar na empresa da família é uma escolha de carreira, e os herdeiros podem optar por isso ou definir outro caminho profissional.

2. Capacitação profissional

Apenas porque a empresa é familiar não significa que seus colaboradores não precisem de formação e aprimoramento do currículo. A excelência da empresa se faz também pela capacitação de seus colaboradores. Isso envolve não só o investimento em cursos e formação, mas também a contratação de pessoas que não pertencem ao círculo familiar. O vínculo pode ser importante, mas as habilidades para lidar com o negócio são fundamentais. Por isso, não hesite em contratar pessoas de fora que estejam capacitadas para assumir os cargos.

Além disso, evite oferecer vagas para familiares que parecem não ter desejo ou vocação para o negócio. Se eles, por exemplo, demonstrarem incompetência e desconsideração pelo emprego, a equipe pode buscar capacitá-los, adverti-los ou mesmo ofertar a vaga para alguém mais habilitado.

Você pode também oferecer para familiares cargos mais operacionais que exigem menor formação, ou investir na capacitação deles para que possam trabalhar em cargos mais elevados.

3. Privilégios

Oferecer vantagens para quem é da família simplesmente pelo grau de parentesco, desconsiderando méritos, é uma prática muito prejudicial. Isso ocorre quando, por exemplo, o gestor dá aos familiares folgas sem razão, adiantamentos, aumentos salariais sem fundamentos, emendas nos feriados, permissividade com atrasos, além de não dar feedbacks negativos que poderiam ajudá-lo a evitar futuros erros.

Os privilégios acabam sendo muito prejudiciais para a empresa por várias razões: proporcionam queda na produtividade, geram mais gastos com colaboradores que não estão engajados e estimulam a indisciplina. Com isso, os profissionais que não são familiares e não recebem tantos benefícios acabam ficando desmotivados por se esforçarem e não atingirem resultados.

Para evitar os problemas gerados pelo oferecimento de vantagens aos familiares, é importante desenvolver uma cultura de recompensa pelo mérito e não pelo laço de sangue. Além disso, é necessário também estabelecer regras iguais para todos com relação a respeitar horários, folgas, remuneração e plano de carreira.

4. Separação entre o profissional e o familiar

Misturar o trabalho com as questões de casa pode gerar muitos prejuízos aos negócios. Se os conflitos e preocupações da família começarem a entrar no cotidiano da empresa, não será dada atenção suficiente e de qualidade ao trabalho. Além disso, brigas e rivalidades de casa podem repercutir no ambiente corporativo, gerando disputas e jogos de poder, o que prejudicaria muito a empresa, resultando em endividamentos, brigas caóticas e problemas no cumprimento das tarefas.

Saber separar o ambiente familiar do cotidiano de trabalho é fundamental — e isso envolve o respeito às diretrizes e hierarquias da empresa. O horário do trabalho é o momento de considerar o cargo da pessoa, e não seu grau de parentesco. Além disso, é preciso saber deixar os problemas de casa para serem resolvidas no lar, e as questões da empresa para serem discutidas no trabalho.

Além disso, rivalidades entre irmãos, primos ou qualquer outro membro da família devem ser superadas. Conflitos na família podem tornar-se problemas grandes, que começam rompendo os laços e, rapidamente, alcançam os negócios. Isso pode fazer não só a empresa cair, mas também as relações interpessoais se desgastarem.

Se houver muitas dificuldades para lidar com esse tipo de problema e a família não conseguir dialogar, é uma boa ideia buscar ajuda profissional, como consultores, mediadores de conflitos e psicólogos.

5. Transparência nas empresas familiares

Seja em uma empresa familiar ou não, a transparência é um elemento fundamental. Nas organizações conduzidas por parentes, é comum que haja superproteção aos filhos com a omissão de informações importantes, como crises que a empresa está sofrendo e erros que ocorreram nos negócios.

Às vezes, dados são omitidos por rivalidades e conflitos familiares. Isso é extremamente prejudicial. O paternalismo não permite que os filhos se desenvolvam como profissionais capazes, e levar as brigas de família para o trabalho acaba gerando um clima organizacional ruim e dificuldades na produção e com os clientes.

Todo colaborador precisa estar ciente dos processos da empresa, dos desempenhos e resultados, gastos extras, falhas e acertos da equipe. Assim, ele é capaz de agir de forma estratégica e ajudar efetivamente no enfrentamento das dificuldades e na construção de soluções.

As empresas familiares apresentam muitas vantagens, mas também muitos desafios a serem vencidos. A questão da sucessão é muito importante e envolve diálogo e preparação dos descendentes que realmente desejam assumir a empresa.

A capacitação também é fundamental porque, afinal, a família está conduzindo um negócio, que demanda conhecimento técnico para ser bem direcionado. Isso implica em investimentos, em formação e na contratação de profissionais que não são parentes, mas que estão habilitados para o cargo.

É preciso ter cuidado ainda com privilégios a familiares em detrimento de outros profissionais. Além disso, investir em transparência e ter o cuidado para não misturar a vida familiar com os negócios são outros desafios que devem ser bem gerenciados para levar os negócios ao sucesso e garantir sua permanência no mercado.

Gostou de conhecer os maiores desafios que as empresas familiares têm que vencer? Compartilhe a sua opinião na seção de comentários!