A atividade empreendedora no Brasil vem se desenvolvendo a passos largos. Segundo pesquisa publicada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2014), em 2014, 34,5% da população do país já tinha ou estava na criação de um negócio nos últimos 12 meses.

As micro e pequenas empresas (MPEs) representam grande parcela de contribuição nesse crescimento. De acordo com informações do Empresômetro (2016), as MPEs foram responsáveis pelo desenvolvimento de 93% do total das empresas no Brasil.

Apesar do crescimento expressivo de novos negócios no país, o índice de mortalidade empresarial é grande. Dados do Sebrae indicam que de cada 10 pequenas empresas abertas no Brasil, apenas duas sobrevivem até o quinto ano de vida, ou seja, uma mortalidade equivalente a 80%.

Para se ter uma ideia ainda mais precisa, segundo dados da Secretaria da Micro e Pequena Empresa (SMPE), no período de janeiro a junho do ano de 2015, das 232 mil empresas abertas, 191 mil fecharam, um índice de 82,3%. Assustador, não é mesmo?

Mas por que as empresas quebram? Levantamos alguns dos principais motivos que levam ao fechamento de tantas empresas e como o empreendedor pode contorná-los. Confira!

Desconhecimento generalizado

Abrir e manter uma empresa, independentemente de seu porte, requer estudo constante de diversas matérias e assuntos. No entanto, não são poucos os empresários que dão início aos seus empreendimentos sem nenhum conhecimento sobre o negócio a ser aberto.

Um dos desconhecimentos mais prejudiciais é a respeito de seus próprios clientes. É preciso saber quem são eles, quais são os seus hábitos, qual a sua forma de consumir e o que eles esperam de seu empreendimento.

Isso porque não conhecer o público-alvo significa, em geral, não oferecer os produtos e serviços certos, além de não oferecer o atendimento da forma esperada por eles.

O empreendedor corre o risco de desperdiçar tempo, energia e dinheiro atendendo os consumidores de uma maneira que não corresponde ao que eles esperam. Além disso, não conhecer o mercado e os seus concorrentes também são erros que podem levar à falência, na medida em que é fundamental conhecer o adversário para estar sempre à sua frente.

Ausência de espírito empreendedor e de liderança

Não se trata de ser um empreendedor nato, mas sim de ter características essenciais para o desenvolvimento do negócio.

Nesse sentido, aquele que assume um empreendimento precisa ser alguém que se antecipe aos fatos, que busque informações gerais — política, economia, mercado, pois todas essas notícias podem influenciar na empresa —, desenvolva novos olhares sobre o mundo e não se acomode.

O negócio não para e o empreendedor também não pode parar. Também por isso é fundamental que o empresário assuma uma postura de não acomodação e se mantenha motivado sempre.

Algumas pessoas abrem seu negócio por necessidade, e não por escolha. Mas mesmo que esse seja o seu caso, é possível que o negócio prospere caso se assuma a postura de dono, com paciência e persistência.

Além disso, assumir a postura de líder é outra questão fundamental que pode levar ao sucesso. Alguns empreendedores não têm conhecimento do próprio negócio, da realidade de seus funcionários e de seus clientes, o que implica no descontentamento geral.

É importante que o empreendimento tenha um líder que saiba se comunicar com todos os envolvidos, sabendo ouvir e absorver as necessidades, e haja com honestidade e clareza.

Falta de conhecimento técnico

Falta à grande parte dos empreendedores conhecimentos técnicos básicos a respeito de um negócio, além de experiência empresarial e competência gerencial (know-how e expertise).

Empresários se lançam no mercado não compreendendo, mesmo que minimamente, questões básicas do seu negócio, como os aspectos contábeis, tributários, burocráticos e financeiros.

São questões variadas no dia a dia que fazem toda a diferença, como a interpretação do lucro e prejuízo, capital de giro, controle de estoque, gestão das finanças, tributo a ser recolhido, pagamento de funcionários, registro dos atos constitutivos, entre tantos outros.

O entendimento, ainda que básico, dessas questões pode significar um grande diferencial, principalmente nos primeiros anos de funcionamento. É preciso que o empreendedor faça uma análise daquilo que não domina e que seja importante, para poder gerenciar seu negócio.

Autossuficiência enganosa

Como relatado, alguns dos principais erros que levam ao fracasso do empreendimento giram em torno do desconhecimento do mercado em geral e de questões técnicas, além da falta de aptidão pessoal para o empreendedorismo.

Acontece que a maior parte dessas deficiências poderia ser superada com a ajuda e orientação profissional, mas alguns empresários erram, mais uma vez, ao acreditarem que podem gerir seus negócios sozinhos e que não precisam aprender nada.

Não se trata de precisar fazer um curso superior de Administração para gerir o negócio, mas sim de buscar aprender o máximo possível e de contar com ajuda. A dica, portanto, é fazer cursos, participar de palestras e treinamentos à procura de uma orientação especializada que possa guiar os passos sobre o setor em que deseja atuar.

A autossuficiência, sobretudo para pessoas inexperientes e sem conhecimento de gestão de negócio, só pode levar a um caminho: o fracasso. Por isso, é essencial se informar, delegar as tarefas necessárias e buscar consultorias de gestão sempre que preciso. O custo com esses profissionais será compensado com o sucesso das finanças da empresa.

Além da ajuda de profissionais, é importante buscar recursos que possam facilitar o trabalho, como tecnologia do setor com inovação dos processos e práticas que possam ajudar a acompanhar as receitas e despesas, para que o gestor possa minimizar seus erros.

Falta de planejamento estratégico

Abrir um negócio sem conhecimento do mercado em que atuará e, ainda, sem entender seus concorrentes, público-alvo, o quanto investir ou mesmo o quanto vai custar para abrir e manter o empreendimento nos seus primeiros meses de vida, como a empresa vai funcionar e o que esperar dela é um erro.

Enfim, abrir uma empresa sem ter um planejamento estratégico do negócio é um grande erro.

Nesse sentido, o planejamento estratégico é essencial para ajustar as oportunidades do ambiente externo às condições internas da empresa, de modo a satisfazer as ambições empresariais.

Dessa forma, o planejamento definirá, entre outras coisas, os objetivos do negócio — a curto, médio e longo prazos —, as estratégias para alcançar os objetivos e um programa de ações para colocar as estratégias em prática.

Todas essas definições estarão alinhadas às condições financeiras do empreendedor, definindo-se os recursos a serem despendidos para que a abertura do negócio não implique a sua falência pessoal, bem como a um bom plano de negócio.

É no plano de negócio que constarão informações essenciais, como possíveis clientes, fornecedores e os pontos fortes e fracos do negócio, ou seja, o que é preciso para identificar a viabilidade da ideia e a gestão da empresa.

Por meio da análise do plano de negócio, será possível responder a perguntas como se vale a pena abrir, manter ou ampliar o empreendimento. Dessa forma, entrar no mercado “às cegas” é um risco assumido e que pode comprometer os negócios ante mesmo do primeiro ano de funcionamento.

Gestão deficiente do negócio

O sucesso de qualquer negócio está atrelado, entre outras coisas, à forma como é feita a gestão, como o empreendedor lida com os aspectos financeiros e comerciais do seu empreendimento. Quando as finanças não são gerenciadas da forma correta, é impossível realizar algum tipo de captação de recursos para investimento.

Não são poucos os empreendedores que precisam fechar as portas porque não cuidaram de suas finanças, não fizeram cálculos simples, como o nível de vendas necessário para cobrir os custos e o lucro pretendido, ou mesmo como precificar seus produtos ou serviços.

Isso além de questões simples e primordiais ao negócio, como a pesquisa de fornecedores, a gestão de marketing e a gestão de pessoas — incluindo forma de contratação e de remuneração.

Fazer a gestão financeira, como o controle do fluxo de caixa, do capital de giro e dos recursos para o desempenho das atividades operacionais do dia a dia garante ao empresário uma gestão eficiente do seu negócio. É preciso gerir conscientemente o negócio para que os recursos sejam otimizados e o empreendimento se consolide no mercado.

Uma empresa não se administra sozinha: é preciso investir em gestão e contar com pessoas capacitadas para o desempenho de suas funções.

Desistência

Depois de ler todos os tópicos anteriores, é possível perceber que alcançar o sucesso do empreendimento requer esforço, dedicação e muito estudo.

É preciso estar disposto a aprender tecnicidades, a incorporar características empreendedoras, a liderar sua equipe e, principalmente, a gerir o negócio com a máxima eficiência possível. Isso além de aprender constantemente com os erros, de aprender a se reerguer sempre que for assolado por um infortúnio e de saber buscar as saídas certas.

Enfim, trata-se de um trabalho penoso, com dedicação quase em tempo integral. Isso explica outro fator pelo qual muitas empresas quebram: seus donos desistem, não necessariamente porque chegaram ao fundo do poço, mas porque não são capazes de lidar com tantas variáveis. Ter um negócio próprio não é fácil, mas é possível.

Por isso, antes de abrir um negócio é preciso entender tudo o que é preciso fazer para que ele possa ter sucesso, entender que existem imprevistos, como uma crise financeira no país. Mas, antes de fechar, é essencial analisar se é isso que se deve fazer ou se a empresa ainda tem chances de crescer.

Talvez a empresa precise de um choque de gestão, ou de buscar novos mercados, ou mesmo de ampliar os investimentos para conseguir se manter competitivo em um mercado em que a concorrência é cada vez mais acirrada. Seja o que for, será preciso ter conhecimento da empresa e do mercado, bem como motivação para tal.

Agora que você já sabe por que as empresas quebram, pode se prevenir e não cometer os mesmos erros apontados aqui. O sucesso do seu negócio está em suas mãos!

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