Quanto maior e mais complexa se torna uma empresa, mais complexo também passa a ser o seu controle e a sua governança corporativa. Por necessitar de mais investimentos, empresas maiores precisam lidar com a presença de acionistas e conselhos administrativos, entre outros atores, dependendo de seu formato jurídico empresarial.

A forma como as empresas administram tantos fatores, entretanto, é bastante diversa fato que depende também do modelo adotado e de importantes decisões gestoras. Para entender mais sobre o assunto, conheça quais são as diferenças entre alguns modelos de governança corporativa!

1. Conheça os modelos de governança corporativa

1.1 Modelo anglo-saxão

O modelo anglo-saxão de governança corporativa é utilizado, principalmente, nos Estados Unidos e no Reino Unido e versa sobre uma separação entre a propriedade e a ação em si. Isso significa que os gestores e os acionistas atuam de maneira separada.

Nesse tipo de governança, os acionistas estão dispersos e não fazem parte da tomada de decisão diária da empresa. Apesar disso, fazem parte do Conselho Administrativo — principalmente, em busca de proteção ao patrimônio dos acionistas minoritários. Esse modelo também é comumente chamado de outsider system e tem o foco principal nos acionistas, visando ao lucro que será distribuído entre eles.

O modelo anglo-saxão também possui como característica, devido ao seu próprio amadurecimento, um número bastante pulverizado de acionistas, com estrutura de propriedade dispersa nas grandes corporações. Além disso, o mercado de ações desempenha um papel bastante marcante na forma de financiamento de grandes empresas, o que difere da realidade brasileira.

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) utiliza esse modelo para a apresentação do Código de Boas Práticas de Governança Corporativa, que deve ser utilizado tanto pelas instituições que fazem parte do mercado de capitais quanto para os investidores que querem entender como estas funcionam e se estão sendo devidamente aplicadas pelas empresas.

1.2. Modelo japonês

Nesse tipo de modelo de governança corporativa, os grandes acionistas também são os executivos e grandes tomadores de decisão da empresa, por estarem imersos na realidade do negócio. Nesse modelo, também chamado de insider system, o acionista também é um gestor e toma decisões baseadas, normalmente, em seus próprios interesses quanto ao lucro.

Por causa disso, o Conselho Administrativo é inteiramente composto por insiders. Esse tipo de modelo de governança é bastante comum quando se trata de uma empresa de família ou quando o Estado é um dos acionistas e controladores da empresa.

Nesse caso, há uma concentração de propriedade e gestão, além de redução do número de acionistas no geral e foco nos stakeholders. A exemplo do que tem acontecido com o Brasil, o mercado japonês tem se expandido na busca de outras fontes de financiamento — o número de investidores e de empresas que abrem o capital e, por consequência, precisam aderir à governança corporativa, é cada vez maior.

1.3. Modelo alemão

No modelo alemão existe uma maior influência do mercado financeiro, especialmente devido à necessidade de financiamentos em longo prazo. Nesse caso, o modelo de governança é estabelecido para atender a uma série de interesses diferentes e o conselho é estratificado entre a gestão e a supervisão, a qual é realizada por representantes de diferentes sindicatos.

Justamente por causa da concentração de propriedade aliada a uma gestão aberta é que nesse tipo de modelo de governança o mercado de capitais é menos forte do que no anglo-saxão. A principal característica desse modelo de governança é o atendimento e o equilíbrio de interesses distintos.

No modelo alemão os conselhos são estruturados em dois diferentes níveis, sendo um de gestão e outro de supervisão das atividades. No nível de supervisão a representação é feita pelos colaboradores das empresas, sindicatos e também pelos bancos.

Uma das fortes influências no desenvolvimento do modelo alemão de governança corporativa foi a Segunda Guerra Mundial e a tentativa de reduzir os custos sociais de tal ato que marcou boa parte na Europa na década de 1940.

1.4. Modelo latino-americano

A concentração de riquezas, tão comum em países latino-americanos, possui grande influência nesse modelo de governança corporativa, já que há maior concentração de propriedade e pouca influência do mercado de capitais. A abertura ao mercado e as privatizações também caracterizam e influenciam esse tipo de governança corporativa.

Nesse modelo de governança, é bastante comum que os interesses da gestão se sobreponham aos dos stakeholders, como com a implementação de processos e tomadas de decisão que sejam especialmente benéficos para as camadas mais altas. Isso se dá graças à não divisão entre propriedade e capital e à influência quase que solitária do comando, muitas vezes familiar.

No modelo latino-americano a gestão das corporações, em sua grande maioria, é feita por acionistas majoritários, representados por grupos familiares ou, ainda, consórcios — responsáveis por manter o controle privado. Sob o ponto de vista dos conflitos de agência existe uma predominância de assimetria entre acionistas majoritários e minoritários.

1.5. Modelo latino-europeu

Funciona como uma mistura entre os modelos latino-americano e anglo-saxão. Nesse caso, as forças de controle são predominantemente internas devido à concentração de propriedade. No entanto, existe uma tendência de abertura do capital.

Também existe uma remuneração de gestores e a criação de conselhos que sejam realmente benéficos para a empresa. A proteção a acionistas minoritários é menor e o mercado de capitais, menos relevante. A liquidez também é mais baixa do que no modelo anglo-saxão.

Os modelos de governança corporativa possuem diferenças em relação à origem do financiamento, à separação de propriedade e gestão e à relevância do mercado de capitais. Dependendo do tipo de cultura corporativa, do tipo de empresa e do modelo de gestão adotado, um modelo de governança acaba sendo mais indicado do que o outro e é o responsável por gerar bons resultados e fortalecimento corporativo.

Países como Espanha, França, Itália e Portugal utilizam o modelo latino-europeu e possuem uma forte presença de famílias controladoras e rígidos acordos de acionistas. Nesse modelo, devido à pouca força de agentes externos e à falta de proteção para os acionistas minoritários a tendência é que existam muitos conflitos de agência ou, ainda, entre agente e principal.

1.6. Modelo de Governança Corporativa no Brasil

Cada modelo de governança corporativa muda de acordo com o país e também com o ambiente social deste questões relacionadas à política, à economia e outros aspectos individuais também são influências. O modelo brasileiro pode ser considerado uma junção de diferentes formas utilizadas.

O Insider System é um papel marcante do mercado de dívida, ou seja, o financiamento do capital de terceiros ou empréstimos sendo feito, majoritariamente, por instituições financeiras. Além disso, o modelo apresentado em terras nacionais possui uma predominância de concentração de propriedade e uma forte presença de empresas familiares e também daquelas controladas pelo Estado.

Entretanto, o mercado brasileiro passou e vem passando por modificações na forma de captação de recursos, hoje também feita via mercado de capitais, o que possibilita a utilização de aspectos do modelo de governança corporativa anglo-saxão utilizado pelos Estados Unidos e Inglaterra.

2. Como escolher o modelo adequado de Governança Corporativa

Como você já pôde perceber, a escolha de um modelo adequado de governança corporativa para a sua organização deve levar em consideração diversos fatores, sendo que alguns deles possuem influência significativa para a real aplicabilidade das melhores práticas desta e para a obtenção de resultados que melhorem a empresa em diferentes aspectos.

A escolha e a consequente adoção de um modelo de governança que possa trazer os melhores resultados para a sua empresa varia de acordo com a situação atual do país em que esta atua e até mesmo com quem ela se relaciona, com as características da empresa e com o tipo de produtos ou serviços que ela comercializa.

2.1. Empresas familiares

No caso de adoção da governança corporativa para empresas familiares, existirão diferenças fundamentais em relação aos modelos propostos para empresas de capital aberto. Na sociedade familiar existe a centralização do controle, o que facilita o processo de tomada de decisão.

Porém, com esse poder centralizado na mão de familiares, existem vantagens e desvantagens em relação à estrutura observada nas sociedades anônimas em que o poder é exercido de forma separada da propriedade.

Assim, é preciso buscar um modelo de governança corporativa que evite que os tomadores de decisões nessas organizações fiquem isolados ou, ainda, alheios às principais novidades do mercado, deixando que a empresa perca em competitividade.

Para essas empresas, o modelo de governança, além de ajudar na questão da inovação, possibilita uma maior transparência das atividades, auxilia no planejamento e na sucessão e acelera o crescimento do negócio.

O processo natural e desejado de crescimento nessas empresas torna as suas atividades cada vez mais complexas e cria as suas próprias demandas por uma estrutura mais formal, com regras e mecanismos de controle.

A partir desse momento também é preciso estar atento aos mecanismos da governança corporativa e aos benefícios que estes podem trazer como a definição dos papéis de cada um dentro da organização, a criação de Conselhos de Administração e Fiscal e outros.

3. Vantagens da adoção da Governança Corporativa

Os benefícios da adoção da governança corporativa e de suas práticas são variados, sendo que a profissionalização da empresa e uma maior possibilidade de interação com as melhores práticas do mercado se destacam entre os demais.

A governança corporativa também permite uma maior transparência e perenidade nos negócios, assim como maiores possibilidades de controle e redução dos riscos, principalmente nos processos de sucessão ou de expansão do negócio.

Além do ganho em vantagem competitiva, a governança corporativa ainda permite a otimização da estrutura organizacional com a manutenção e até mesmo o crescimento da rentabilidade.

Por fim, a governança corporativa traz mais sinergia e melhora do clima organizacional para os colaboradores, o que pode otimizar bastante o capital humano do negócio, o que, entre outras vantagens, permite reconhecer e implementar inovações em sua empresa.

Neste post você conheceu os modelos de governança corporativa, suas características e possibilidades de implementação. Que tal fazer o download de nosso e-book e entender melhor como funciona a sucessão empresarial?