Muitas empresas familiares — que já estão em atividade há algum tempo — cedo ou tarde precisam passar por um processo de sucessão empresarial. Porém, ele nem sempre é rápido ou de simples condução.

Estatísticas apontam que, do total das organizações familiares ativas, somente um terço delas consegue continuar gerando lucros na segunda geração e apenas 15% chega até a terceira. O que explica esses casos, afinal?

O cenário descrito acima pode ser explicado pela falta de planejamento, dos valores e da missão do empreendimento, de capacitação dos sucessores e outros problemas muito comuns que ocorrem durante esse período de transição.

Todas essas questões somadas, a médio e longo prazos, trazem prejuízos tão grandes e difíceis de manejar adequadamente, que muitas empresas precisam fechar suas portas. Por outro lado, uma sucessão empresarial pode ser, sim, uma garantia de sucesso, continuidade e inovação para corporações familiares.

Para isso, basta estruturar e planejar o processo com antecedência e cuidado. Quer saber como? Então continue acompanhando o post de hoje! Aqui daremos algumas dicas para evitar que ocorram transtornos e percalços na sua empresa durante esse período.

1. O processo de sucessão empresarial familiar

Normalmente, a necessidade de sucessão familiar surge quando o proprietário e fundador da empresa precisa ou deseja se afastar dos negócios em virtude de doença, aposentadoria ou melhoria de qualidade de vida.

Durante o período de transição, a gestão da empresa passa para os filhos ou para os herdeiros por meio da transferência de funções, responsabilidades, experiência, autoridade, liderança e poder de decisão de uma geração para a outra.

Com a finalização do processo de sucessão empresarial familiar, os filhos assumem definitivamente o comando da empresa. Em vários casos, o fundador se torna um membro do conselho da empresa.

Dessa maneira, ele continua usando suas habilidades de avaliação e de tomada de decisões em prol do desenvolvimento e do sucesso da organização sem, contudo, fazer parte da rotina dos negócios.

Entretanto, para que todo o processo descrito acima ocorra de maneira fluída e sem grandes percalços, é necessário que sejam tomadas algumas decisões e que determinadas atitudes estratégicas essenciais sejam traçadas de maneira consciente e precisa. Saiba mais nos próximos tópicos!

2. Planejamento estratégico da sucessão

A primeira dica para evitar problemas de sucessão empresarial familiar é promover um planejamento estratégico, de modo a evitar problemas a curto e longo prazo. O ideal é que o processo sucessório tenha início quando a presença do fundador ainda é uma realidade na rotina da empresa.

Afinal, na maior parte dos casos, ele é a pessoa que possui o conhecimento mais aprofundado sobre como funciona o negócio. Baseado nessa premissa, o fundador é quem tem a capacidade de escolher de maneira mais acertada quem será o seu sucessor, além de poder coordenar pessoalmente o treinamento e a qualificação do escolhido, preparando-o adequadamente para suas novas funções.

Ademais, é importante que todas as pessoas envolvidas em um processo de sucessão empresarial já tenham, em alguma medida, vivência consolidada na empresa. Mesmo que se invista em um treinamento e em capacitação de qualidade, oferecer um cargo de gerência ou de gestão de um negócio a quem não possui nenhuma noção de como o empreendimento funciona é extremamente arriscado.

3. Formação do Conselho de Administração

Para que o processo sucessório se consolide da melhor maneira possível, uma grande sacada é formar um Conselho de Administração, alocando dentro dele todas as pessoas da família que trabalham ou estão diretamente ligadas à empresa. O Conselho é o local em que as estratégias, metas e planos para o negócio são discutidos e traçados.

No caso de empresas familiares, ele serve também para apontar, de maneira oficial e documentada, quem são os sucessores, quais são as funções de cada um, os fluxos e as atitudes que devem ser tomadas para a administração de conflitos e a delegação de responsabilidades para cada colaborador da empresa.

Em situações em que mais de um filho ficará responsável pelo controle da corporação, por exemplo, cada um deverá estar totalmente ciente de quais são as suas responsabilidades, funções e atribuições e não invadir, de maneira nenhuma, o espaço de trabalho destinado aos demais herdeiros.

A formação do Conselho promove a transparência das ações dentro da corporação e serve como um minimizador de conflitos — que, muitas vezes, são a causa do fracasso de empresas familiares.

Assim, as discussões familiares envolvendo diretamente os negócios passam a ser realizadas exclusivamente nesse espaço e não em conversas informais pelos corredores da empresa —  ou pior, em encontros familiares informais.

Além disso, o Conselho de Administração é fundamental na hora de reafirmar a cultura organizacional, pois nele discute-se com clareza a missão, a visão, os valores e os códigos de conduta para que os sucessores caminhem na direção correta.

4. Capacitação dos sucessores

A preparação adequada dos novos gestores será determinante para o sucesso e a continuidade do empreendimento. Após o planejamento de sucessão, será necessário identificar as habilidades e competências de cada gestor e de que maneira elas podem ser desenvolvidas.

Vale ressaltar que, nessa capacitação, não entram apenas os conhecimentos técnicos, mas também as habilidades de liderança, de criatividade e comportamentais. Além disso, é essencial que a pessoa que substituirá o fundador que se afastará compreenda profundamente e tenha um vínculo forte o suficiente com os valores do mesmo.

Afinal, em grande parte dos casos, toda a cultura da empresa está baseada nesses valores, inclusive a maneira como a empresa se relaciona com o mercado, com a concorrência e com os clientes. Mudanças bruscas e repentinas nessa estrutura poderão ocasionar rachaduras nas bases da organização, comprometendo seriamente a perpetuação do negócio.

5. Questões legais

É importante analisar, ainda, a questão da sucessão empresarial familiar sob a perspectiva jurídica. Isso porque ela pode ocorrer de maneira formalizada ou não. Para tanto, basta que se tenham provas de que houve a transferência de responsabilidades tributárias, por exemplo, o que já se configura como sucessão.

Nesses casos, é importante observar toda a documentação da empresa junto às autoridades competentes, de modo a evitar futuros problemas legais. A melhor atitude em relação às questões jurídicas é documentar e legalizar todo o processo conforme ele for acontecendo.

6. Alinhamento de aspectos tradicionais e inovação

Como já citamos, é essencial que, durante a sucessão empresarial, os valores, a missão e os padrões que deram origem à empresa sejam mantidos. Daí a importância de se eleger um sucessor que possua um vínculo forte com o modelo de atuação, gerência e liderança aos quais todos já estão acostumados, minimizando os impactos trazidos pela mudança na condução dos negócios.

Por outro lado, apesar de ser extremamente importante manter os padrões que nasceram junto com a empresa, sabemos também que, em tempos de concorrência acirrada e grande volatilidade do mercado, inovar é preciso. A empresa que não revê processos, metodologias e estratégias, alinhando-as aos novos tempos, aumenta — e muito! — os riscos de ficar para trás.

Nesse contexto, é importante trazer junto ao processo de sucessão uma certa abertura para a “modernidade”, que os novos gestores, geralmente pessoas mais jovens, podem carregar consigo.

Manter a filosofia da empresa intacta e, ao mesmo tempo, torná-la mais aberta a novas maneiras de gerenciar pessoas, conduzir processos e gerar produtos é a receita para o sucesso da organização após a saída do fundador.

7. Auxílio de consultoria especializada para profissionalização

A sucessão empresarial, quando feita da maneira correta pode, inclusive, contribuir de maneira significativa na melhora dos resultados de qualquer empresa. Para que isso seja verdade, entretanto, é necessário que haja profissionalização de seus processos, com os novos sucessores agindo ativamente para o fortalecimento do nível de comprometimento, qualificação e engajamento das pessoas.

Para facilitar esses processos, de modo que a sucessão não seja tão problemática ou traumática, pode ser bastante proveitoso contar com o apoio de consultorias especializadas.  Finanças estratégicas, governança corporativa, processos e produção e comercial e marketing estão entre os principais assuntos abordados pelas consultorias.

Tais empresas, além de fornecer auxílio aos novos gestores, treinando-os adequadamente para que possam conduzir os processos empresariais de maneira mais acertada, permitem que os processos sejam profissionalizados.

Essas ações, em conjunto, influenciam diretamente na diminuição dos impactos da sucessão empresarial familiar para os demais membros da organização, fazendo com que as mudanças não sejam percebidas como algo tão brusco ou repentino.

O processo de sucessão empresarial não é um desafio dos mais simples, como você pôde perceber ao longo deste post. Porém, ele tampouco precisa trazer resultados negativos para a empresa familiar. Basta ficar atento às questões trazidas nesse conteúdo e preparar todo o processo adequadamente.

Assim, haverá um controle maior da transferência de responsabilidades, do treinamento e da qualificação dos sucessores — e no estabelecimento de uma nova hierarquia dentro da organização. Tudo isso da maneira mais fluída possível, sem que haja impactos negativos nos resultados do negócio.

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